domingo, 20 de setembro de 2009

O PRINCÍPIO




Aqui jaz o princípio da palavra em nós. Palavra múltipla, submúltipla ou tripla. Palavra infinita. Seja cantada, dita ou vivida, ela invade um novo espaço que por tanto tempo ficou vazio. E é bom acordar em um domingo qualquer e perceber que alguma coisa mudou dentro e fora de nós... preenchemos um vazio, e o preenchemos com a palavra. Por ora ficamos com a lembrança de uma bela tarde ensolarada intensamente vivida com versos e conversas. Partimos para o mundo da poesia e lá vamos nós caminhando recheados de “a liter-ação”.



A liter-ção



A ação da palavra
O frêmito do sentimento
Dizer o dito literário que crava
No peito, o amor, o êxtase, o lamento.


Disseminar o verbo
Proferir o que há de vida
Refletir no concreto
E na emoção recolhida


Partilhar a vida
Experiências vividas
Demonstrar o amor nas palavras
Da eternidade contida


A luz do sol penetrando
A música ao fundo tocando
E as palavras o chão invadindo
Transformando-se em nossa base, nosso caminho.


Os corações interpenetram-se
As mentes interligam-se
As almas se permutam
E as palavras se perpetuam.




***


Em 19 de outubro de 2009 abrimos as portas, as janelas e o coração para “a liter-ação”. E assim, principia um novo tempo, um novo espaço, um novo enredo, uma nova forma de narrar, no entanto, os personagens são os mesmos... eis o resultado dessa tarde graciosa e pequenina:

O banho divino

Oh! Musa minha
Tu, quando vais ao banho
Tu, que para a cachoeira caminha
Sem nenhum acanho

Despe-se próximo à macieira
O corpo faz-se de sol
Sou impedido de vê-la inteira

Mas basta-me contemplar-te o rosto
As mãos e os pés
O resto, sob nuvens está posto.

A água desliza por tua face,
Desce por teu colo lentamente
Abraçando teu corpo no enlace
Desejava, eu, ser essa água desesperadamente.

Cumprir o que a vida me ditou:
Envolver-me em teus cabelos, acariciar tua pele
Que nem a água, ser o único que em teus lábios tocou.

Permita-me, Musa, esta proeza,
Seria a minha fortuna
Minha única riqueza

Leo Cerqueira

Um mês



Um mês... quem diria amor
Que todo o meu carinho
Que todo o meu afeto
Eclodisse em um mês


Amo-te incessantemente, hoje e sempre
Como um arauto que anuncia estonteante
Dentro do meu peito abafa
E minha alma grita


Grita alegremente: - amo-te!

Tempo suficiente para se envolver
Para entregar-se sem medida
E com todas (as medidas)


Meu corpo pede o teu,
Minha alma a tua
Júbilo é o encontro de nossas vidas
Amor é a palavra deste dia!



Marília Costa

Distância impiedosa



Quando não vens, no palco fecham-se as cortinas,
O sol se põe em surdina,
O dia acaba sem histórias para contar...

Quando não vens, minha boca seca impiedosamente,
A luz dos meus olhos parece apagar,
Meu sorriso torna-se pálido,
Meu destino é dormir e, talvez, sonhar.

Quisera eu que viesses todas as noites,
Sem eu pedir ou implorar,
Viesses com um sorriso estampado no rosto,
Viesses de braços abertos para me amar.

Maior desejo meu, na verdade, é que nem precisasses vir...
Que já estivesses aqui
Todos os dias
Todas as noites
Sem despedidas ou angústias ao te esperar...

Bom seria se nessa vida
Tivéssemos o poder de ultrapassar
Todos aqueles limites que nos afastam
Da pessoa que escolhemos para amar.




Mary Nascimento

Você tem sede de quê?



Eu tenho sede de vida, de estar em harmonia comigo mesma, de perceber a essência das coisas e me enamorar diariamente com a novidade anunciada a cada amanhecer.
 

Eu tenho sede de amor, desses bem adocicados e fora de moda, de um romantismo piegas e de uma serenata à porta. 

Eu tenho sede de justiça, de crer em um futuro digno para todos, de vislumbrar nas faces caídas e no apelo exaustivo um fio de esperança que possa ao menos anunciar a margem de um rio... e mergulhar... e me deixar levar... bebendo das águas límpidas do saber. 


Eu tenho sede de conhecimento, do que me faça melhor e amplie os meus horizontes, do que me faça ver além e alicerce as lições em meu coração, para que ao trasmiti-lo possa sentir a emoção real de acrescentar algo enriquecedor, de educar com amor.


Eu tenho sede do porvir, aquela ansiedade gostosa em ver meus sonhos concretizados, aniquilando, assim, os longos prazos. 


Eu tenho sede do hoje, de superar as barreiras, de lavar minha alma com águas que brotam de minha fonte ocular e saber aceitar as intempéries com altivez e tranqüilidade. 


Eu tenho sede de paz espiritual, de encostar a cabeça no travesseiro e sentir meu corpo levitar... e sonhar... e acordar sorrindo... e me espreguiçar... encarando o mundo com otimismo. 


Eu tenho sede de Deus, de sua Palavra bendita e da capacidade de bem dizê-la através do meu testemunho, das minhas atitudes. 


Eu tenho sede de infinito, mesmo sabendo que a minha existência é limitada e incerta.


Tatiana Pessoa

Êxtase

Olhos cerrados
Lábios molhados
Pêlos eriçados
Membros excitados

Sangue fervente
Sorriso envolvente
Beijos ardentes
Carinhos frementes

Corpos colados
Membros ajustados
Orgasmo ilimitado
Amantes extasiados.

Thais Loiola